segunda-feira, 9 de junho de 2025

Religiões no Brasil ´- Censo 2022 - IBGE



 Alguns dados de Cidades: Censo de 2022 - Religiões


Rio de Janeiro (RJ)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 43,6%

Evangélica 25,5%

Espírita 5,1%

Umbanda e Candomblé 3,5%

Tradições indígenas 0%

Outras 6%

Sem religião 16,1%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


São Paulo (SP)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 50,7%

Evangélica 23,2%

Espírita 3,8%

Umbanda e Candomblé 2,3%

Tradições indígenas 0%

Outras 6,3%

Sem religião 13,5%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


...


Fonte: IBGE

Vitória (ES)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 49%

Evangélica 28%

Espírita 2,6%

Umbanda e Candomblé 0,8%

Tradições indígenas 0%

Outras 4,7%

Sem religião 14,8%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...



Fonte: IBGE

Porto Alegre (RS)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 54,5%

Evangélica 13,3%

Espírita 5,5%

Umbanda e Candomblé 6,4%

Tradições indígenas 0,1%

Outras 4,8%

Sem religião 15,6%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0%

...


Fonte: IBGE

Brasília (DF)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 49,7%

Evangélica 29,2%

Espírita 3,3%

Umbanda e Candomblé 0,8%

Tradições indígenas 0%

Outras 4,9%

Sem religião 11,3%

Não sabe 0,6%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Belo Horizonte (MG)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 53,1%

Evangélica 27,3%

Espírita 3,9%

Umbanda e Candomblé 0,8%

Tradições indígenas 0%

Outras 5%

Sem religião 9,8%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0%

...



Fonte: IBGE

Rio Branco (AC)

Religião predominante Evangélica

Católica Apostólica Romana 30,5%

Evangélica 47,1%

Espírita 0,9%

Umbanda e Candomblé 0,4%

Tradições indígenas 0%

Outras 6%

Sem religião 14,8%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Armação dos Búzios (RJ)

Religião predominante Evangélica

Católica Apostólica Romana 25,6%

Evangélica 33,3%

Espírita 1,9%

Umbanda e Candomblé 0,9%

Tradições indígenas 0%

Outras 16,2%

Sem religião 21,8%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,3%

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Duque de Caxias (RJ)

Religião predominante Evangélica

Católica Apostólica Romana 29,6%

Evangélica 40,4%

Espírita 1,8%

Umbanda e Candomblé 2,2%

Tradições indígenas 0%

Outras 6,4%

Sem religião 19,2%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,3%

...


Fonte: IBGE

Nilópolis (RJ)

Religião predominante Evangélica

Católica Apostólica Romana 32,1%

Evangélica 32,9%

Espírita 3%

Umbanda e Candomblé 3,7%

Tradições indígenas 0%

Outras 5,9%

Sem religião 22,2%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,2%

...



Fonte: IBGE

Valença (RJ)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 59,1%

Evangélica 20,6%

Espírita 4,9%

Umbanda e Candomblé 3,3%

Tradições indígenas 0%

Outras 3,5%

Sem religião 8,5%

Não sabe 0%

Sem declaração 0%

...


São Gabriel da Cachoeira (AM)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 64,1%

Evangélica 29%

Espírita 0,1%

Umbanda e Candomblé 0,1%

Tradições indígenas 0,1%

Outras 1,2%

Sem religião 2,1%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 3,2%

...


Fonte: IBGE

Picos (PI)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 79,3%

Evangélica 14,8%

Espírita 0,2%

Umbanda e Candomblé 0,4%

Tradições indígenas 0%

Outras 1,7%

Sem religião 3,4%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Fortaleza (CE)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 60%

Evangélica 26,3%

Espírita 1,2%

Umbanda e Candomblé 0,6%

Tradições indígenas 0%

Outras 4%

Sem religião 7,6%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

São Luís (MA)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 53,6%

Evangélica 30,4%

Espírita 0,6%

Umbanda e Candomblé 0,7%

Tradições indígenas 0%

Outras 5,1%

Sem religião 9,3%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Vila Velha (ES)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 44,8%

Evangélica 36,5%

Espírita 1,5%

Umbanda e Candomblé 0,8%

Tradições indígenas 0,1%

Outras 5%

Sem religião 11,2%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...



Fonte: IBGE

Maceió (AL)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 51,9%

Evangélica 29,9%

Espírita 1,5%

Umbanda e Candomblé 0,7%

Tradições indígenas 0%

Outras 3,5%

Sem religião 12,3%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Boa Vista (RR)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 36,4%

Evangélica 34,4%

Espírita 0,9%

Umbanda e Candomblé 0,4%

Tradições indígenas 0%

Outras 9,5%

Sem religião 18%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,3%

...


Salvador (BA)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 44%

Evangélica 24,3%

Espírita 2,4%

Umbanda e Candomblé 2,8%

Tradições indígenas 0%

Outras 7,8%

Sem religião 18,5%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Macapá (AP)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 52,9%

Evangélica 33,9%

Espírita 0,8%

Umbanda e Candomblé 0,7%

Tradições indígenas 0%

Outras 3,8%

Sem religião 7,1%

Não sabe 0,7%

Sem declaração 

...


Manaus (AM)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 44,4%

Evangélica 39,5%

Espírita 0,6%

Umbanda e Candomblé 0,5%

Tradições indígenas 0%

Outras 6%

Sem religião 8,8%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Goiânia (GO)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 46,8%

Evangélica 33,9%

Espírita 3,7%

Umbanda e Candomblé 0,7%

Tradições indígenas 0%

Outras 5,6%

Sem religião 9,2%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Cuiabá (MT)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 52,6%

Evangélica 31,3%

Espírita 2,8%

Umbanda e Candomblé 1%

Tradições indígenas 0%

Outras 4,7%

Sem religião 7,6%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Campo Grande (MS)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 45,5%

Evangélica 34,3%

Espírita 3%

Umbanda e Candomblé 0,9%

Tradições indígenas 0%

Outras 5,8%

Sem religião 10,3%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Belém (PA)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 55,3%

Evangélica 33,4%

Espírita 1,3%

Umbanda e Candomblé 0,8%

Tradições indígenas 0%

Outras 3,4%

Sem religião 5,7%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

João Pessoa (PB)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 55,4%

Evangélica 29,1%

Espírita 1,4%

Umbanda e Candomblé 0,6%

Tradições indígenas 0%

Outras 5,3%

Sem religião 8,1%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Curitiba (PR)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 55,5%

Evangélica 25,5%

Espírita 2,7%

Umbanda e Candomblé 1,3%

Tradições indígenas 0%

Outras 4,8%

Sem religião 10%

Não sabe 0,1%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Recife (PE)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 47,5%

Evangélica 27,9%

Espírita 3,1%

Umbanda e Candomblé 0,9%

Tradições indígenas 0%

Outras 5,6%

Sem religião 14,9%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...


Fonte: IBGE

Teresina (PI)

Religião predominante Católica

Católica Apostólica Romana 70,2%

Evangélica 19,4%

Espírita 0,9%

Umbanda e Candomblé 0,8%

Tradições indígenas 0%

Outras 2,8%

Sem religião 5,8%

Não sabe 0%

Sem declaração 0,1%

...

Natal (RN)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 58,6%
Evangélica 24,6%
Espírita 2,1%
Umbanda e Candomblé 0,5%
Tradições indígenas 0%
Outras 4%
Sem religião 9,9%
Não sabe 0%
Sem declaração 0,1%
...

Porto Velho (RO)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 40,5%
Evangélica 38,7%
Espírita 1%
Umbanda e Candomblé 0,7%
Tradições indígenas 0,1%
Outras 5,8%
Sem religião 13,1%
Não sabe 0,1%
Sem declaração 0,1%
...

Fonte: IBGE
Florianópolis (SC)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 53,2%
Evangélica 14,5%
Espírita 5,8%
Umbanda e Candomblé 2,1%
Tradições indígenas 0%
Outras 5,8%
Sem religião 18,4%
Não sabe 0,1%
Sem declaração 0,1%
...

Fonte: IBGE
Volta Redonda (RJ)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 43,4%
Evangélica 34,7%
Espírita 4,5%
Umbanda e Candomblé 1,3%
Tradições indígenas 0%
Outras 5,2%
Sem religião 10,6%
Não sabe 0,2%
Sem declaração 0,1%
...

Campos Belos (GO)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 62,9%
Evangélica 30,7%
Espírita 0,8%
Umbanda e Candomblé 0,2%
Tradições indígenas 0%
Outras 2%
Sem religião 3,1%
Não sabe 0,1%
Sem declaração 0,2%
...
Uberlândia (MG)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 48,5%
Evangélica 28,5%
Espírita 6%
Umbanda e Candomblé 1%
Tradições indígenas 0%
Outras 5,9%
Sem religião 9,8%
Não sabe 0%
Sem declaração 0,1%
...
Fonte: IBGE
Andrelândia (MG)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 83,2%
Evangélica 14,2%
Espírita 0,5%
Umbanda e Candomblé 0%
Tradições indígenas 0%
Outras 0,8%
Sem religião 1,3%
Não sabe 0%
Sem declaração 0%
...

Fonte: IBGE
São Lourenço (MG)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 64%
Evangélica 21,2%
Espírita 3,5%
Umbanda e Candomblé 0,5%
Tradições indígenas 0%
Outras 5,8%
Sem religião 4,9%
Não sabe 0%
Sem declaração 0%
...

Fonte: IBGE
Juiz de Fora (MG)
Religião predominante Católica
Católica Apostólica Romana 56,8%
Evangélica 25,3%
Espírita 5,3%
Umbanda e Candomblé 1,2%
Tradições indígenas 0%
Outras 3,6%
Sem religião 7,7%
Não sabe 0%
Sem declaração 0,1%

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil - 9 de junho


Foi sacerdote, missionário, professor, historiador e, especialmente, evangelizador e catequista. É considerado iniciador da literatura, do teatro e da poesia brasileira.

José de Anchieta chegou ao Brasil em 1554. A cidade ainda não existia. Havia apenas alguns aglomerados de aborígenes. Chegou aos 24 de janeiro, vigília da festa da Conversão de são Paulo. Educado em Portugal, José provinha daquelas nações que, naquela época, tanto contribuíram para o descoberta do mundo, Espanha e Portugal. Veio com o único objetivo de conduzir os homens a Cristo, transmitindo-lhes a vida de filhos de Deus, destinados à vida eterna. Veio sem exigir nada para si; pelo contrário, disposto a dar sua vida por eles.

Jovem, cheio de vida, inteligente, alegre por natureza, de coração aberto e amado por todos, brilhante nos estudos da Universidade de Coimbra, José de Anchieta soube granjear a simpatia de seus colegas, que gostavam de ouvi-lo recitar. Por causa do seu timbre de voz, chamavam-no “canarino” lembrando assim o canto dos pássaros de sua ilha natal, Tenerife, nas Canárias. Diante dele abriam-se muitas estradas ao sucesso. Mas, jovem de fé, estava atento às inspirações e moções de Deus que o atraía por outros caminhos. Buscava o silêncio, a solidão para orar. Muitas vezes, deixando de lado os livros, passeava sozinho, às margens do rio Mondego. Numa dessas caminhadas, entrou na catedral de Coimbra e, diante do altar da Virgem, sentindo uma grande paz, resolveu dedicar sua vida ao serviço de Deus e dos homens; fez o voto de castidade, consagrando-se a Maria. Tinha, então, 17 anos. A partir daí intensificou sua vida de oração. Demonstrava grande maturidade.

Profundamente impressionado com as cartas de são Francisco Xavier, que contavam as carências de tantos povos e países do Oriente, e desejando seguir tão eloquente exemplo, decidiu entrar na Companhia de Jesus. E assim, poucos anos depois, veio ao Brasil.

Uma vez missionário, José de Anchieta viveu o espírito do apóstolo dos gentios. Salvar as almas para a glória de Deus, este era o objetivo de sua vida. Isto explica a sua prodigiosa atividade, ao buscar novas formas de atuação apostólica, que o levavam a fazer-se tudo para todos. Não recusou nenhum esforço para compreender os seus “Brasis” e compartilhar-lhes a vida. Tornou-se exímio catequista que — seguindo o exemplo de Cristo Senhor, Deus feito homem para revelar o Pai —, vivendo entre os homens, falava-lhes de maneira simples, adaptando-se às suas categorias mentais e aos seus costumes. Promoveu e desenvolveu as aldeias, cujo coração era sempre a Casa de Deus, onde o sacrifício Eucarístico era celebrado regularmente e onde o Senhor sacramentado permanecia presente.

Padre Anchieta multiplicou-se incansavelmente através de tantas atividades, até mesmo do estudo da fauna e da flora, da medicina, da música e da literatura, mas tudo isso orientava para o bem verdadeiro do homem destinado a ser e viver como filho de Deus. O seu segredo era a sua fé: era homem de Deus. Por certo não lhe faltaram dores e penas, decepções e insucessos; também teve sua parte no pão de cada dia de todo apóstolo de Cristo, de todo sacerdote do Senhor. Mas em meio à sua incansável atividade e contínuo sofrimento, jamais faltou a calma, serena e viril certeza alicerçada no Senhor Jesus Cristo, com quem se encontrava e a quem se unia no mistério eucarístico: a quem se entregava continuamente para deixar-se plasmar pelo seu Espírito.

Não tendo nem papel nem tinta à disposição, na areia da praia escreveu com amor o seu poema — que aprendeu de cor: A virgem Maria, mãe de Deus. Eis aí as fontes da riqueza da vida e da atividade de Anchieta: a união profunda e ardente com Deus, o apego a Cristo presente na eucaristia, o terno amor a Nossa Senhora.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Oração a São José de Anchieta

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil,

Poeta da Virgem Maria intercede por nós, hoje e sempre.

Dá-nos a disponibilidade de servir a Jesus,

como tu o serviste nos mais pobres e necessitados.

Protege-nos de todos os males do corpo e da alma.

E, se for vontade de Deus, alcança-nos a graça, que te pedimos.

São José de Anchieta, rogai por nós!

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Temos Papa: Leão XIV

 

Habemus Papam


Habemus Papam: Leão XIV

O Conclave elegeu o cardeal Robert Prevost como o 267º Bispo de Roma. O anúncio à multidão foi dado pelo cardeal protodiácono Dominique Mambert


Annuntio vobis gaudium magnum; Habemus Papam! "Anuncio-vos uma grande alegria; temos um Papa!".

Há poucos instantes, da Sacada Central da Basílica de São Pedro, o cardeal protodiácono Dominique Mamberti pronunciou a tão aguardada fórmula em latim, comunicando a Roma e ao mundo o nome do novo Sucessor de Pedro:

“Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, Dominum Robertum Franciscum, Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinali Prevost, qui sibi nomen imposuit Leonem XIV.

Traduzindo para o português: "O eminentíssimo e reverendíssimo senhor, senhor Robert Francis, cardeal da Santa Igreja Romana PREVOST, que se impôs o nome de Leão XIV".


Vatican News

terça-feira, 6 de maio de 2025

Querido Francisco

 


Por Maria Clara Bingemer


Parece mentira que não veremos mais seu rosto bondoso e tantas vezes brincalhão. Ultimamente andava diferente, mas os olhos não perderam a luz e a vivacidade, expressando o que os lábios só conseguiam fazer com dificuldade: afeto, proximidade e até a proverbial sensibilidade cheia de humor que marcou seus 12 anos de pontificado. Como quando viu a senhora que frequentava assiduamente a praça levando flores amarelas e disse: Brava!


Agora fica conosco sua memória, nossa saudade e o extenso, imenso legado por você deixado. O choque da notícia de sua partida foi sendo amenizado ao longo destes dias em que tentávamos fazer o luto da perda que insistia em misturar-se com a gratidão e o louvor a Deus pelo dom que foi você para esta querida Igreja. E também e não menos para um mundo que parece perder o rumo e a cada dia aprofunda o que você tão sabiamente nomeou como “uma terceira guerra mundial em capítulos. “


Eu o conheci ainda Bergoglio e em nossa amada Buenos Aires. Não ainda Francisco de Roma. Recordo-me de sua sisudez e seriedade, em nada parecidas com o sorriso permanente e carinhoso que marcou seu pontificado. Mas já então, em meio a comentários de todo tipo sobre sua pessoa, sentia destacar-se a admiração por sua austeridade. O cardeal que caminhava a pé ou tomava ônibus e metrô para chegar de surpresa às comunidades pobres a fim de celebrar com os padres “villeros”. O prelado que telefonava a uma comunidade religiosa e chamava por uma certa irmã. E que perguntado por sua identidade respondia: Jorge. Quando a pergunta era insistente: Que Jorge? Respondia: Jorge Bergoglio, causando reboliço e agitação na comunidade de irmãs que não esperavam que seu arcebispo adotasse um estilo tão informal para comunicar-se com uma delas.


Assim aconteceu também quando de sua eleição à sé de Pedro. Seus telefonemas, cartas escritas de punho e letra, mensagens personalizadas confirmavam a presença do Papa com sua marca mais característica: “cercania”, termo de língua castelhana que em português se traduz por proximidade. Mas que é mais que isso. Se trata de uma proximidade afetiva e carregada de carinho, livre e abertamente demonstrado.


Parece que você adotou desde o início o estilo que recomendou a todos para construir uma Igreja em saída. Como orientação para que isso acontecesse, recomendou algo inusitado “Hagan lío” ou seja, “Façam agitação, criem movimento”. A pessoa do Papa era a primeira a fazer esse movimento que desconcertava e surpreendia por sua simplicidade, proximidade, cálida afetividade. E novamente, humor denunciado pelos olhos brejeiros e o sorriso contagiante.


Assim fomos sendo conquistados e quando percebemos estávamos a cada dia pendentes da novidade que iria nos surpreender desta vez. Qual seria sua ideia, sua proposta, sua criatividade que chamaria a atenção do mundo e da Igreja para a boa notícia da qual era responsável? Entre encantados, alegres e estupefatos fomos acompanhando e sendo ensinados


Por exemplo: sua ida a Lampedusa e Lesbos e o inflamado discurso que aí você pronunciou, voltando a atenção do mundo inteiro para a tragédia dos migrantes e a trágica “globalização da indiferença”. Em seguida, lemos sua encíclica Laudato Sì, e nos vimos diante de um novo capítulo da Doutrina Social da Igreja, celebrada pelos fiéis e muito,intensamente, por intelectuais agnósticos e cientistas céticos. Aprendemos com você que tudo está interligado e nosso destino está atrelado ao destino de todos os outros e de toda a criação.


Sua comunicação com os jovens foi outra surpresa que mostrou ao vivo e em cores o que você queria dizer com “cultura do encontro”. No Rio de Janeiro em 2013 você veio e depois de burlar a segurança, andar de carro comum com os vidros abertos, entrar nas comunidades mais pobres e tomar café, levantou uma praia de Copacabana com milhões de jovens falando em português palavras de ordem que eles repetiam entusiasmados como “Botar água no feijão” . Depois com um leve sorriso disse ao jornalista que falava da rivalidade entre brasileiros e argentinos: “O papa é argentino, mas Deus é brasileiro”. Em Lisboa aconteceu algo parecido com a multidão de jovens gritando com você que a Igreja era de “todos, todos, todos”.


Nos últimos tempos, acompanhando sua doença, angustiados e esperançosos, nos pareceu que você ia conseguir outra boa surpresa. E quando apareceu em público no domingo de Páscoa, abraçando a praça cheia de gente, abençoando a todos e com enorme esforço sussurrando poucas palavras, acreditamos que sua convalescença progredia.


Nosso despertar na segunda-feira foi chocante e muito triste. Choramos e sentimos profundamente. Mas ao recordar tudo que foi feito, dito, vivido, padecido e entregue, entendemos que naquela Páscoa seu único desejo era abraçar-nos a todos. E conseguiu fazê-lo. Um gesto derradeiro de sua paternal ternura que consola o sentimento de orfandade que em todos nós passou a habitar.


Muita saudade, querido Francisco. Valorizaremos seu legado. Levantaremos alto suas bandeiras. E continuaremos, com o melhor de nossas forças, a Igreja em saída, pobre e para os pobres que você tanto desejou. Abençoe-nos sempre, não deixe de acompanhar-nos. Por aqui, não rezamos mais por você, mas com você, na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo que você já vive em plenitude. Amém.


Maria Clara Bingemer, professora do departamento de teologia da PUC-Rio




domingo, 27 de abril de 2025

Ele “é um de nós”

 


Ele “é um de nós”

A expressão é de um trabalhador argentino. Ao ver o Cardeal Jorge M. Bergoglio sentado no fundo de um ônibus de transporte público, ele disse aos companheiros: “ele é um de nós”! Mas podemos acrescentar aqui que “ele é mais do que um de nós”! Seu vigor, seu ardor e sua energia, sempre vivos e ativos, espelhavam uma espiritualidade de dupla dimensão. Por uma parte, um olhar focado no espírito de Deus, que orienta e dirige a Igreja. A intimidade do Papa Francisco com a presença do Espirito Santo, conduzia-o ao contato com o mistério da transcendência, como disse em Aparecida. Intimidade e contato que abrem o coração e alma a horizontes alternativos da história. O espírito irrompe nas coordenadas da trajetória humana, seja para desnudar os erros e males das análises e decisões equivocadas, seja para alargar o leque das escolhas/opções e pavimentar novas veredas no grande sertão da vida, parafraseando o poeta Guimarães Rosa. Abraçar o mistério da transcendência consiste em deixar-se interpelar pelo “novo”, dando-se conta que as mudanças não dependem de nossos méritos ou de nossas forças, e sim da ação invisível do espírito.

Por outra parte, um olhar que sai de si mesmo e se dispersa pelos becos e ruas, pelos campos e cidades, pelos grotões e porões, pelas periferias e fronteiras da sociedade. Vai lá onde habitam e sofrem, lutam e sonham os pobres, excluídos, vulneráveis. Neste caso, vem à tona o projeto da “Igreja em saída”, no sentido de colocar-se a caminho em direção aos lugares mais sórdidos e longínquos da humanidade. Trata-se aqui de deixar o conforto da sacristia e o formalismo estéril do ritualismo litúrgico, bem como os benesses e privilégios da hierarquia e do clero, para caminhar ao encontro daqueles que, literalmente, “não moram, escondem-se”. O desafio é fazer com que as pastorais sociais, movimentos, comunidades, paróquias e dioceses criam pernas para recriar, no contexto atual, aqui e agora, os passos do “profeta itinerante de Nazaré”, que “percorria todas as aldeias e povoados” (Mt 9, 35) da Galileia, da Samaria e da Judeia.

O próprio Jesus, de resto, alterna seu tempo entre os momentos íntimos e intensos na montanha, junto ao Pai, e o compromisso com os doentes, indefesos e desvalidos, pelos caminhos. Um olhar focado na face radiante do Abba, e um olhar descentralizado entre os rostos desfigurados dos oprimidos. Da montanha, traz aos pobres os raios luminosos do rosto do Senhor, que brilham e iluminam a trajetória humana; do caminho, leva ao Pai os traços da fome, do abandono e da violência, para que possa receber luz e calor amorosos de Deus. É evidente que a montanha e o caminho, longe de se excluírem, se questionam, se entrelaçam, se enriquecem e se complementam reciprocamente. Quanto mais focado na crescente intimidade com o Pai, mais Jesus se dispersa para levar o conforto da esperança aos aflitos.

A prática pastoral do Cardeal Jorge M. Bergoglio, na cidade de Buenos Aires, logo seguida do pontificado do Papa Francisco, em Roma, refletem e ilustram esse binômio espiritual-apostólico de contemplação da Transcendência, por um lado, e, por outro, sociopastoral e político, junto aos empobrecidos e marginalizados de ambos os lados do oceano Atlântico. Entretanto, na função de pontífice, na cátedra de Pedro, estende essa prática evangélica a todo o planeta. Emblemática a esse respeito foi a preocupação do Santo Padre para com os migrantes, refugiados e apátridas. Aqui também: o foco na intimidade com o Pai, na montanha, leva Jorge M. Bergoglio às trilhas turbulentas e tortuosas da grande multidão de pessoas sem raiz e sim pátria, pelos caminhos da migração. “Ele era um de nós”, sem dúvida, mas “ele foi além de nós”!

Basta lembrar de suas visitas à ilha de Lampedusa, no extremo sul da Itália, e à ilha de Lesbos, na Grécia. Ambas as ilhas funcionavam como portas de entrada dos migrantes na Europa, respectivamente, pela rota mediterrânea e pela rota balcânica. Mas ele não parou por aí! Nas viagens pelos caminhos e acampamentos do fenômeno migratório, trouxe para a Itália algumas famílias de refugiados sírios, com todas as despesas bancadas pelo Estado do Vaticano. Além disso, não deixou de visitar, igualmente, uma das fronteiras mais icônicas em termos de mobilidade humana. Estamos falando dos limites geográficos entre os Estados Unidos e o México, onde tantos sonhos se romperam e se transformam em pesadelos. Ali deixou claro um refrão tão repetido durante seu ministério: abater muros e erguer pontes.  Nos casos de Lampedusa e de Lesbos, não deixou de alertar que o mar Mediterrâneo tinha se transformado num grande cemitério dos migrantes. Deixa assim um legado inconfundível: combater a globalização da indiferença, em vistas de um projeto de justiça, fraterno e solidários, todos os povos, culturas e nações.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, assessor do SPM – São Paulo, 26/04/2025

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Adeus Papa Francisco: 21 de abril de 2025


A Igreja chora mas o céu se alegra

Unimo-nos à dor do mundo inteiro, fazendo nossas as palavras do anúncio feito pelo Cardeal Kevin Joseph Farrell:
“Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.

Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.”

O Papa Francisco nos indicou um novo horizonte, deslocando seu olhar do centro para as periferias existenciais. Que a Igreja e o seu sucessor sigam seu exemplo, assumindo a sua “revolução da ternura”.

Filhas de São Paulo

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

17 anos de céu de Ir. Dorothy




Um resumo da vida da missionária Ir. Dorothy,  morta há 17 anos, no dia 12 de fevereiro de 2005. Vídeo de "De olho na história". 

Dorothy deixou esta recomendação: "Vamos nos unir e amar uns aos outros".                                                                                            

 Acesse o vídeo : O martirio de Ir. Dorothy Stang

ttps://www.youtube.com/watch?v=qJDtwnaSgt4     

Carta aos mercadores da morte

Não há paz sem o desarmamento do coração, e não há desarmamento do coração enquanto a mão permanecer agarrada ao lucro. Dom Domenico (Mimmo)...